Lenda de Obaluayê e Iansã


Iansã era uma mulher muito curiosa, de todos queria noticias e tudo queria saber.
Apenas um segredo havia que ela já fizera de tudo para descobrir e não conseguira.
Era o fato de Obaluayê andar coberto de palha, apenas se viam seus braços e pernas e nunca ninguém vira seu rosto.
Iansã perguntava a todos o porquê disso e sempre lhe diziam que como tinha o corpo e o rosto coberto de chagas, ele não gostaria de mostrar ao mundo a sina que o acompanhava.
Essas explicações vindas de todos os lados a deixavam mais curiosa ainda.
Passou a perseguir Obaluayê obsessivamente, aonde ele ia, disfarçadamente ia atrás.
Um dia quando estava quase desistindo, sentia-se cansada o rapaz andava muito, sentou-se aos pés de uma grande árvore e adormeceu. Acordou com o ruído do farfalhar de palhas que sempre acompanhava seu perseguido que estava molhando os pés num pequeno riacho muito perto dela e não a tinha percebido.
Era a hora!
Finalmente descobriria o que há meses a torturava.
Ergueu as mãos para o céu e chamou pelos ventos que sempre a auxiliavam.
Eles vieram e numa lufada forte envolveram Obaluayê, que despreparado, não pode impedir que a palha se levantasse deixando seu corpo exposto.
Qual a surpresa de Iansã ao ver que debaixo da vestimenta não havia uma só chaga, mas sim uma beleza radiosa, todo o corpo do rapaz brilhava numa cor de cobre que o sol acentuava.
O que ele escondia não era a vergonha de um corpo disforme e sim a beleza infinda que a todos faria inveja.
Desse dia em diante Iansã não mais perseguiu Obaluayê, mas sempre que o encontrava suspirava pela beleza que nunca mais esqueceu.